reflito no meu corpo torto
todo o reflexo de um tempo
outro
longe daqui
vi muitos planos serem feitos
na mão da mãe virei promessa e cuidado
na mão do pai virei besteira e estrago
um utensílio barato
guardei restos de pele
restos de água morna
gotas de sangue
um pouco de tudo cabe aqui
vi o menino nascer e crescer
vi casas, vi banheiros
choros na frente do espelho
vi angústia, pulsão de morte sobre veias desejando a morte
me tornei amuleto
vi um novo ser surgindo de um novo corte
com a sorte de um corte cego na vertical norte
vi se manter forte um laço entre o que ainda é presente posse e o que foi passado
descartado distante daqui
me tornei objeto sagrado
sem ponta faço furo no futuro traçado
saindo de um balcão de loja fadado ao fim
não esqueço o passado e permaneço presente em mim
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