aracnometa

no limiar do medo vivo a imensidão
por entre as dobras da escuridão
carrego o último beijo que dei

me escondo de uma aranha
assim como ela se esconde
de mim

do canto escuro da parede enxergo a vida
faço cama para a morte
deslizo pelo tecido orbicular da noite
me guio pelo som do seu fim

durante a madrugada tudo é breve
se tornando uma questão:
quem procura mais a vida
que o outro?

fecho os olhos
esperando
que eu desperte sendo
uma aranha

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