não sei explicar

acordei atordoado
sonhei com você a noite inteira
com o beijo que não demos
nem na porta do bar
nem no espaço escuro de quando fecho os olhos

a palpitação continua
fico ofegante
pensando nos seus grandes olhos
me desnudando
seu sorriso abrindo o caminho nesse corredor estreito
só vejo você nessa multidão
seu cheiro me acalmando quando me aperta
quando me pede pra ficar
até esqueço o que é o não
as portas se abrem
todas as possibilidades
faço altar pra ilusão

e esse aperto no meu peito
do que eu deixei de fazer
do que eu queria
do que não consegui
do que não pude
do déjà-vu na sua voz

mas se dói
ainda estou vivo

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