não me encaixo nem no desabafo…
sou muito raso perto de tanto conteúdo falado no choro de gente grande,
gente que é notada gritando e sussurrando ao microfone…
ainda não sou gente,
sou um troço jogado no sofá,
brigando com os meus lados,
tentando encontrar uma posição confortável
entre um acolchoado com tecido macio
e um buraco com a madeira surgindo, rasgando, invadindo…
no incômodo, meu peito é pressionado no apoio dos pés descalços,
onde descanso a cabeça no alto,
longe…
escrevendo para ninguém
às cinco e cinco da manhã,
completo o show de duas horas,
competindo com os sons dos pássaros,
o latido do cachorro ao fundo dissonante
e o som das rodas riscando o concreto,
indo e vindo em cada instante,
quando tento me concentrar,
no freio brusco dos ônibus da linha noturna
com assentos vazios,
no descontentamento nascendo pela fresta da cortina,
um resquício do mundo
pedindo para entrar.
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