recusar a perfeição
ser gentil com as minhas falhas
entender que existir não é um erro
aceitar que o som da minha voz não chega a todos os ouvidos
que repito a fala, mas na segunda vez ela já não sai inteira
entender que ainda assim não devo calar quando meu coração pede a palavra
aceitar uma troca profunda de olhares
mesmo que, quando procurar novamente aqueles mesmos olhos, me depare com eles já fechados para mim
chegar bem perto e errar a hora do abraço
dar as costas constrangido, como quem erra a sala de aula e senta sem entender o que é dito
ir embora sem jeito
deixando dúvidas se sequer eu fui
ser lembrado pelo meu nome
deixado na lista de presença
esquecer qualquer apego à imagem
cruzar por espelhos sem encará-los
como quem não reconheceria o reflexo se o visse
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